DEVA11: A Crise dos Dividendos e a Busca por Novos Horizontes

DEVA11, o Fundo de Investimento Imobiliário (FII) Devant Recebíveis Imobiliários, tem sido o centro das atenções no mercado de FIIs, mas por razões que preocupam seus mais de 87 mil cotistas. Conhecido por sua abordagem de “High Yield” e promessas de alta rentabilidade, o fundo enfrenta um momento desafiador, com a queda acentuada nos dividendos e a incerteza pairando sobre o futuro. Este artigo, com base em relatórios gerenciais e análises de mercado, mergulha nos motivos por trás dessa turbulência e na estratégia da gestão para navegar por águas turbulentas.

O Baque nos Rendimentos: A Queda que Impactou o Mercado

A grande manchete do último relatório gerencial do DEVA11 foi, sem dúvida, a drástica redução nos rendimentos distribuídos. O fundo pagou R$ 0,34 por cota em agosto, uma queda expressiva em relação a meses anteriores, como julho (R$ 0,46) e maio (R$ 0,46). Esse valor representa um Dividend Yield de 1,09% para o mês, um patamar significativamente menor do que a média histórica do FII, que tem um acumulado de 15,82% nos últimos 12 meses. O que explica essa retração tão forte?A resposta reside na sua principal fonte de receita: a correção monetária. O relatório gerencial de julho aponta que o fundo distribuiu apenas R$ 532 mil em correção monetária, um valor bem abaixo dos R$ 1,4 milhão de junho. A gestão do DEVA11 atribuiu a queda a uma série de fatores, incluindo a liquidação de ativos que antes geravam receitas recorrentes. Os CRIs São José e Pivendas, por exemplo, que contribuíam de forma expressiva para a distribuição de rendimentos, foram liquidados e não geraram novas receitas no período.

A Herança da Inadimplência e os CRIs Problemáticos

A crise nos rendimentos não é um evento isolado, mas sim o reflexo de um problema de longo prazo que o fundo vem enfrentando. Desde 2023, o DEVA11 tem sofrido com a inadimplência de CRIs atrelados a ativos do Grupo Gramado Parks, um dos seus maiores devedores. Dados de relatórios anteriores indicam que apenas 30% da carteira de CRIs do fundo estavam em dia, enquanto 50,5% estavam em carência de juros e 8,8% em situação de inadimplência.A gestão do fundo tem tentado contornar a situação, renegociando os contratos e buscando garantias, mas a desvalorização das cotas no mercado é um claro sinal da perda de confiança dos investidores. A cota de mercado do DEVA11 despencou nos últimos meses, e o fundo chegou a acumular perdas de quase 50% no ano, liderando as quedas do IFIX (Índice de Fundos de Investimento Imobiliário). Em contraste, o valor patrimonial por cota se manteve em R$ 96,51, evidenciando o gigantesco desconto (P/VP) de 0,29 com que o fundo está sendo negociado.Crise e Inadimplência:  

A Resposta da Gestão: Novos Ativos e a Busca por Equilíbrio

Diante do cenário desafiador, a equipe de gestão do DEVA11 está em um esforço de recuperação. A estratégia é clara: alocar rapidamente o caixa disponível em novas operações que ofereçam uma relação atrativa de risco-retorno. A recente compra do CRI RR Solares por R$ 5 milhões é um exemplo dessa busca por novos horizontes. O CRI, lastreado em projetos residenciais em Teresina, Piauí, possui uma taxa de IGPM + 10,2% ao ano, uma remuneração robusta que pode ajudar a compensar a perda de receitas. No entanto, a alocação de novos ativos é um processo demorado. O dinheiro em caixa, que se originou da liquidação dos CRIs e de outras amortizações, precisa ser reinvestido de forma eficiente para que o fundo volte a gerar receitas consistentes. O relatório gerencial ressalta a atenção da gestão aos mercados primário e secundário, com o objetivo de diversificar a carteira e mitigar os riscos de concentração.

O Futuro do DEVA11: Entre a Esperança e a Cautela

Apesar dos esforços da gestão, o futuro do DEVA11 ainda é incerto. O fundo opera no segmento de “High Yield”, investindo em ativos de maior risco para buscar retornos mais elevados. A alta porcentagem de CRIs de desenvolvimento em seu portfólio (com taxas elevadas de IPCA + 13% e 15%) expõe o fundo a um risco de crédito maior.A liquidez diária do fundo, que já foi expressiva, tem apresentado uma queda gradual, refletindo a cautela dos investidores. Analistas de mercado, como os da EQI Research e Santander, chegaram a recomendar a venda do ativo, um sinal de que a crise de confiança é profunda.Para os cotistas do DEVA11 e para quem acompanha o mercado de FIIs, a mensagem é clara: o fundo passa por uma fase de reestruturação. A gestão está em busca de soluções, mas a recuperação do patamar de dividendos e do valor da cota no mercado dependerá da sua capacidade de reverter o quadro de inadimplência, alocar de forma eficaz o caixa e, acima de tudo, restaurar a confiança dos investidores. Acompanhar os próximos relatórios gerenciais será fundamental para entender se o “DEVA11 das antigas” voltará a brilhar.Funds Explorer – DEVA11 | Devant Recebíveis Imobiliários – https://www.fundsexplorer.com.br/funds/deva11

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