SÃO PAULO — Uma decisão recente do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, gerou um terremoto no mercado financeiro brasileiro. A medida, que impede bancos nacionais de bloquear contas de ministros do STF em resposta a determinações de estados estrangeiros, como a Lei Magnitsky dos Estados Unidos, colocou as instituições financeiras em uma encruzilhada. Elas se veem presas entre a necessidade de cumprir uma ordem judicial brasileira e o risco de enfrentar multas bilionárias e sanções por parte do governo norte-americano, que já tem um histórico de punir bancos globais que desobedecem suas regras.Este artigo investiga as implicações dessa decisão, o histórico de sanções da Lei Magnitsky e as possíveis consequências para o sistema financeiro do Brasil.
A Decisão que Colocou o Mercado em Xeque
A decisão do ministro Flávio Dino, anunciada em 18 de agosto, determina que qualquer bloqueio de ativos ou transação envolvendo o sistema financeiro nacional, por ordem de um estado estrangeiro, deve ter autorização expressa do STF. A medida surge em um contexto de tensão, com a Lei Magnitsky sendo cogitada para ser aplicada a figuras políticas brasileiras, incluindo o ministro Alexandre de Moraes, por supostas ações que ferem a democracia.Em essência, a decisão cria um dilema de compliance para os bancos brasileiros. Se cumprirem a Lei Magnitsky e bloquearem contas, podem ser punidos pela justiça brasileira. Se desobedecerem, correm o risco de sofrerem retaliações severas por parte dos Estados Unidos.Histórico de Sanções e Multas Bilionárias
A Lei Magnitsky, originalmente focada em violações de direitos humanos, tem sido uma ferramenta poderosa nas mãos do governo norte-americano para aplicar sanções financeiras. O histórico de multas a grandes bancos globais por desobediência a essas normas é um alerta claro para as instituições brasileiras.- BNP Paribas (França): Em 2014, o banco francês teve que pagar uma multa recorde de US$ 8,9 bilhões por processar transações ilegais para países como Cuba, Irã e Sudão. O banco também foi proibido de realizar certas operações em dólar.
- HSBC (Reino Unido): Em 2012, o banco britânico foi multado em mais de US$ 1 bilhão por falhas sistêmicas em seus controles de compliance, permitindo a lavagem de dinheiro de cartéis de drogas e transações com países sancionados.
- Commerzbank (Alemanha): O banco alemão teve que pagar US$ 1,45 bilhão por processar transações em nome de entidades sancionadas.Bancos que tentaram driblar sanções receberam multas bilionárias dos EUA: https://www.poder360.com.br/poder-internacional/bancos-que-tentaram-driblar-sancoes-receberam-multas-bilionarias-dos-eua/